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TAMO JUNTO

domingo, 31 de maio de 2009

COPA DO MUNDO NO BRASIL

Olá galera!
Voltei aqui para escrever mais algumas bobagens, ou não, para vocês.
Hoje, ou melhor, ontem eu assisti o anúncio da FIFA sobre as cidades que irão sediar os jogos da Copa de 2014 aqui no Brasa.
Achei tudo muito legal e bonito, mas resolvi contestar.
Estava eu assistindo a coletiva de imprensa, em casa pela TV, quando escuto a declaração do Presidente da CBF, Ricardo Teixeira, referente a pergunta de um repórter sobre possíveis problemas de organização e metas não cumpridas nas cidades. A resposta do cartola foi direta, ele afirmou que não responde perguntas negativas e que não conta com possíveis problemas ou falhas na organização.
Até aí tudo bem, 2014 está um pouco longe, mas todos sabemos como as coisas funcionam no nosso querido país, principalmente se referindo à política. É claro que se tratando de Copa do Mundo, a paixão maior da nossa pátria, as coisas poderão mudar, mas mesmo assim vale toda a atenção.
Muito bem, com base nisso eu trago aqui um depoimento de uma pessoa que foi mês passado ao Rio de Janeiro assistir Fluminense X Corinthians, no Maracanã em partida válida pela Copa do Brasil-il-il...
Segue:


Maracanã detalhe por detalhe: quarta-feira 20/05/2009

10h00-Saí de casa atrasada.

11h35-Chego no metrô Anhangabaú e encontro um rapaz chamado Douglas, uniformizado. Pergunto se ele vai viajar com a 12 e ele diz que sim, então vamos juntos pra sede.

12h10-Chegamos na sede achando que estávamos atrasados, mas o pessoal estava
acendendo a churrasqueira.

15h00-Sai os ônibus de São Paulo com destino ao Maracanã, no Rio. Eu vou sentada, porque mulheres, crianças e senhores tem preferência, mas 11 homens vão em pé.

16h30-O ônibus foi parado pela polícia rodoviária por excesso de pessoas. Passou então um chapéuzinho para arrecadar 2 Reais de cada pessoa. O ônibus da frente não foi parado, estava mais cheio que o nosso e inclusive levava as bandeiras.

18h00-Um dos “cabeças” do ônibus pede para o motorista parar em uma lojinha de estrada, em bom tom ele pede:
“Aê pessoal, vamos descer aqui, mas nada de saquear, falô?”, comenta.
Na hora de subir ele disse brincando:
“Pessoal, só vai subir produtos que foram comprados heim!”
Tinha mais caixinhas de cervejas e vinhos baratos de 5 litros.

19h30-Antes de descer a Serra das Araras, fomos parados novamente pela polícia rodoviária. Dessa vez eles alegaram “cheiro de maconha”. Mais 150 Reais e outra vez o chapéuzinho passou.
Na descida da serra ficamos paralelos com um ônibus do Fluminense. Jogaram o que podiam na gente, pois nossos ônibus não tinham ar condicionado e as janelas ficavam abertas, mas o deles era todo fechadinho tipo executivo.

21h00-Chegamos em Belford Roxo, onde havia dezenas de ônibus da torcida do Corinthians, carros, vans e peruas. Um mar negro de gente.
Num Habib’s ali perto peguei meu ingresso, pois não dava pra comprar na bilheteria do estádio. Um organizador comprou tudo antes.

21h45-Ainda estávamos lá no acostamento.

21h45-Depois da reclamação da torcida a polícia fechou a rodovia e começou a escolta da torcida. No meu ônibus vários subiram em cima, eu fiquei bem quetinha na minha cadeira porque não tava afim de tomar um tiro, na hora passávamos bem no meio de duas favelas.

21h55-Chegamos próximo do Maracanã, do lado tinha que atravessar uma ponte pra chegar lá. A cavalaria estava na frente guiando os corintianos, a passos de cavalos, e todo mundo ficando puto. A chuva caindo, então saiu o primeiro GOL do Corinthians e a gente comemorou na ponte mesmo. Tinha umas 3 mil pessoas.

Aí os policiais, não satisfeitos só com a demora, começaram a bater no povo que queria sair correndo pro estádio. Quando chegamos, eles abriram um micro portão para que todos entrassem. Começou o empurra-empurra, eu fui logo lá pra frente, porque sou mulher, nesse tempo saiu o segundo GOL do Corinthians.
O piso tremia, os funcionários do Maraca ficaram com cara de assustados, todo mundo cantava e não parava. Tem uma rampa na entrada do Maracanã que tremia também. Eu lá na frente tentando entrar com mais duas meninas, aí a polícia teve a “brilhante” idéia de colocar todo mundo pra trás com a borracha.
Foi só tempo de eu virar o bumbum, levei uma bem na coxa, gritei que era mulher e que tinha mais mulheres ali. Um cara, que Deus deve ter iluminado as idéias, abriu outro portão pra eu e as meninas entrarmos.
Entrei faltando 5 minutos pro fim do primeiro tempo. O estádio estava quieto.
O setor do Corinthians era embaixo do Fluminense. Tomamos várias garrafinhas e copos de água com mijo na cabeça.
No setor da torcida do Timão tinha umas pessoas muito família, e gente bem vestida, mas bem vestida mesmo, que nem parecia que iam ver um futebol. Umas mulheres ultra-produzidas, muitos gringos também. Logo a torcida que estava lá fora começou a lotar o setor.
Já era o segundo tempo quando a torcida foi liberada pra entrar com as bandeiras e tambores. Eu me enfiei em qualquer lugar, de preferência distante da torcida do Flu, graças a Deus nada caiu na minha cabeça, nem cuspi.
Vimos os 2 gols do Fluminense, aí a torcida começou a gritar, mas a nossa que era em menor número gritava mais alto!
O estadio é lindo, enorme, os gritos dos corintianos faziam ecos “TIMÃO EÔ-Ô-Ô”, fazia um eco gigantesco. Terminou o jogo, todo mundo se abraçou, demos tchau pra torcida do Fluminense e gritamos: “E-LIMINADOOOOOOS! E-LIMINADOOOOOOOS!”.

23h47-Fim do jogo, a torcida do Flu, que já estava indo embora mesmo, com o apito final desapareceram. Ficamos lá, cantando e os meninos batucando. Logo a polícia mandou a gente sair das cadeiras e ficar em uma parte fechada que dá acesso a saída, mas não podíamos sair, só quem morava lá, quem veio de caravana tinha que esperar a escolta da polícia.

2h00-Depois de gritar e cantar muito, e ficar sem ar também, porque o lugar é quente pra caralho e não podíamos nem usar o banheiro!!!! ( só na hora do jogo!!!!!!!!), a polícia resolveu liberar os corintianos. Os ônibus estavam todos na frente, uns 30 veículos ou mais.
Descemos aquela rampa, bonitinhos, comportados, e, eu tentando tirar uma foto do Maraca, mas estava difícil porque apagaram as luzes do lugar.
Aí na frente do estádio enquanto eu tentava tirar uma foto ouvi: “CORRE SEUS FILHAS DA PUTA!!!!!!”. Olhei para trás e percebi a polícia da cavalaria e os que estavam no chão de boné, que é a PM, vindo na direção dos ônibus e batendo nas laterais dos veículos pra todo mundo entrar logo e eu nem sabia onde estava meu ônibus! Sai correndo também, meio correndo porque sou manca. Meu amigo que conheci no metrô, o Douglas, segurou minha mão, pois ele sabe que tenho problema no pé e não posso correr, mas aí eu parei pra tirar foto de um policial que estava com uma metralhadora ou uma bazuca! Eu acho que era, porque era uma arma gigantesca!
Fiquei tentando tirar a foto, mas sempre saia uma cabeça na minha frente e estava meio escuro, só tinha aquela luz amarela sabe? Nesse momento eu me perdi do meu amigo.

Tentando me situar e achar Douglas ouvi umas palavras carinhosas: “ENTRA EM QUALQUER ÔNIBUS QUE ESSA PORRA VAI TUDO PRA SÃO PAULO!!!!” Era um policial da PM, de bonézinho com um cassetete batendo em todo mundo.
Eu sai correndo e fui até o fim da fileira de ônibus e não achei o meu. Parecia filme de terror, todo mundo correndo pra todos os lados. Voltei pro início da fileira e passei pela cavalaria, quando a mesma veio pra cima de mim, eu gritei: “EU NÃO ACHO MEU ÔNIBUS”, tentei afinar a voz o máximo que pude, pra perceberem que sou mulher, aí gritaram: “ENTRA EM QUALQUER UM PORRA!” Entrei num ônibus com todo mundo apanhando atrás de mim, cai quase em cima do motorista, perguntei pra onde ia e ele disse: “Fiel Sorocaba!”. Desci e sai correndo pra outra direção procurando meu ônibus, então veio mais cavalaria, entrei em outro ônibus, esse ia pra Fiel São Miguel, desci de novo e sai correndo por um corredor de ônibus emparelhados e os caras de dentro dos veículos gritando pra eu entrar em qualquer um.
Os ônibus começaram a partir com as portas abertas, as pessoas penduradas entrando e a polícia batendo, nessa um cara gritou: “EI 12! ( porque eu fui com a Camisa 12) SEGUE A GENTE PORQUE O NOSSO ÔNIBUS NÃO TÁ AQUI!” aí eu perguntei: “Como não?” O cara explicou: “O NOSSO ÔNIBUS DA 12 NÃO TÁ AQUI, A GENTE JÁ RODOU TUDO ISSO AQUI E NÃO ACHAMOS”.
Saímos correndo e apareceram 2 cavalos, voltamos correndo e entramos em um ônibus da Gaviões da Fiel que vinha pro Bom Retiro. Juntas oito pessoas comigo, o ônibus não tava cheio, tinha lugar pra sentar, mas era da Gaviões e nós éramos da 12, mas eu não estava com a camisa da 12, só do Corinthians, pedi licença e sentei, afinal de contas sou mulher, e sou folgada.
Os meninos da 12 ficaram em pé. Pela janela víamos os outros veículos saindo e os policiais batendo em quem subia e em quem estava ainda pela rua, parecia filme, de terror é lógico, o pessoal da torcida Pavilhão 9 ficou lá, o ônibus deles também não veio. Os coitados apanharam e algumas pessoas que vieram conosco também.
Todos os ônibus seguiram escoltados pela polícia. Todo mundo abaixado porque a galera das favelas do local estava jogando pedras. Um tijolo, daqueles tipo baiano, bateu no vidro e o quebou por inteiro.
Só levantamos quando chegamos na serra, depois das favelas. Eu até chorei, porque foi muito trash essa saída. Também não sei se chorei de felicidade, pois o Corinthians ganhou, não o jogo mas a classificação, rs rs. Dei minha bandeira para um menino de 12 anos que estava com o pai, pra ele deitar no chão, porque ninguém ia aguentar seis horas em pé até São Paulo.
Depois de três horas de viajem paramos, pois tinha um ônibus quebrado em Rezende, todo mundo do ônibus entrou, ficaram três pessoas em cada par de bancos, outros sentados em cima do encosto de cabeça das poltronas e muitos outros em pé!
Voltamos assim pra São Paulo, sem contar o mau cheiro do banheiro, e eu era a única menina do meu ônibus, que não era o meu.
Tinha um cara bem louco, que não deixava ninguém dormir, pois ele ficava o tempo inteiro gritando pro motorista desligar o ar, na verdade era a janela quebrada que entrava o maior vento.

8h00-Chegando em Sampa mais um fato lamentável. Estávamos na marginal, lenta, os corintianos todos na janela xingando o povo. Aí passa um tiozinho barrigudo de bigode branco vestido com a camisa do São Paulo FC e a torcida xingou ele de “Bambi”, mas o senhorzinho em vez de continuar andando e deixar o povo zuar preferiu pegar uma pedra e jogar no ônibus.
O motorista parou e desceram uns cinco caras que correram atrás do tiozinho, eu nem olhei, mas falaram que eles deram uns tapas e rasgaram a camisa dele... Ai que tiozinho burro!
Foi isso pessoal, nunca mais vou com torcida organizada pra estádio fora de Sampa, pois a torcida é muito discriminada. Lá no Rio eu poderia sair do estádio pois não estava com camisa de torcida e sim do Corinthians, mas eu ia pra onde? Sei lá, acho que faria de novo, afinal valeu ganhar do Flu no Maracanã e ver no telão o Flamengo ser eliminado! Hahahahaha!
Será que vou ao Beira Rio na final? Alguém se aventura?

Suian Barros

Só tenho uma coisa pra dizer: FELIZ COPA DE 2014!

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